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Associação de Planadores Radiocontrolados de Belo Horizonte
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MensagemEnviado: 31 Dez 2013, 16:20 
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XMAS CUP 2013 foi um torneio virtual de planadores no Condor Soaring Simulator. Foram 4 dias consecutivos de corridas com no mínimo 300km, no cenário virtual da Nova Zelândia usando planadores da classe 18 metros.
Maiores detalhes podem ser encontrados no site oficial do torneio http://xmas.virtualsoaring.eu

Descobrimos o torneio pouco tempo antes do início da prova do segundo dia, através de uma conversa no Teamspeak com o amigo Cristiano Conrado. Como ainda era possível a inscrição, resolvemos participar para experimentar uma prova online deste porte. O que se sucedeu foi a completa fascinação pelo formato e um compromisso diário em participar das provas restantes. Segue então um relato das minhas impressões durante a saga, para talvez servir de estímulo para novos participantes.

Dia 02 - Sobrevivendo a um task na Nova Zelândia

Como o tempo era curto, fizemos uma breve análise do mapa, do clima do dia e entramos para a pista. Neste dia tive a companhia dos amigos Marco Lambreta e Jefferson, além do Cristiano Conrado da Bahia que, mais experiente em provas do tipo, ia nos orientando nos procedimentos.
A primeira imagem é chocante: uma fila de uma dúzia de planadores aguardando o reboque, outro tanto cruzando sobre o aeroporto em pleno reboque, rebocadores pousando ao lado, um paliteiro de planadores girando sob a nuvem mais próxima, enfim um choque de imagens que trouxeram êxtase e nervosismo.

Anexo:
xmas01.jpg


Anexo:
xmas04.jpg


Na primeira térmica depois do reboque logo percebemos que o clima não seria dos mais fáceis, apesar de ainda relacionar a dificuldade com o impacto da novidade de girar em meio a vários planadores e ainda usando um planador nunca voado antes.
Inexperientes, começamos a prova num ritmo forte, tendo em mente as altas médias de velocidade vistas em resultados de outras provas do tipo, para logo sermos confrontados com a realidade: térmicas fracas e estreitas, teto baixo e terreno irregular de grandes variações de altitude. Antes do primeiro terço da prova já me coloquei numa situação difícil, chegando baixo ao pé de uma colina que precisava ser cruzada. Com vento desfavorável e após duas tentativas de térmicas que não renderam o esperado, já considerava a possibilidade do fim da prova.
Assistindo planadores seguindo na prova acima de mim, na altura que me encontrava não conseguia pegar nenhuma ascendente sob as nuvens próximas já formadas. A única solução então seria encontrar uma térmica em formação, analisando as probabilidades do terreno. Pela altura só teria uma chance e a sorte me ajudou. Consegui altura para cruzar a colina apenas para me encontrar na mesma situação do outro lado. Desta vez após insistir muito já estava procurando onde pousar quando passei por uma ascendentezinha, tão baixo que fiquei com receio de tocar as árvores com a ponta da asa ao me inclinar para girar. Fraca mas suficiente para alcançar uma nuvem que acabava de nascer a algumas dezenas de metros ao lado. Esta sim boa para os padrões do dia, me permitiu chegar a uma montanha próxima e completar a segunda perna com alguma tranquilidade.
A partir deste ponto, a dúvida era até onde conseguiria chegar pois completar a prova já me parecia muito improvável. Gastara 3 horas para completar um pouco mais que a metade da prova e já as 16:00 do dia da prova, o prognóstico climático não era dos melhores. Surpreendentemente as térmicas que se seguiram estavam melhores que as existentes no início da prova, ou quem sabe foi uma melhora aparente devida apenas a melhora da minha técnica proporcionada pelas dificuldades recentes?. Fui ajudado também pelo lift da seção mais montanhosa da prova, bem mais consistente que o esperado pela minha análise inexperiente da direção e velocidade do vento. Acabei terminando com 4:07 hs de tempo corrido pouco depois das 17:00, o último dos que terminaram. O primeiro colocado do dia terminou a prova com 02:08 hs! Considerei ainda assim uma vitória para mim pois neste dia 42 de 102 não completaram.

Dia 3 - Aprendendo a voar um task na Nova Zelândia

Iniciei o segundo dia com os ânimos mais serenos e com duas diretrizes em mente: respeitar o clima voando em velocidade compatível, e não ficar baixo em hipótese alguma. Esta significaria descer no máximo a 1500 QNH e onde o relevo permitisse. Tentei também planejar uma rota analisando o relevo e usando uma imagem do mapa em boa resolução para consulta durante a prova. O objetivo era terminar a prova sem sustos, com uma média conservadora mas mediana em relação aos demais competidores, ou seja, terminar a prova por volta 2:30 a 2:40hs.

Anexo:
xmas02.jpg


Anexo:
xmas05.jpg


Tudo corria bem mais ou menos dentro do planejado durante a primeira perna. Durante a segunda perna fomos atrasados por algumas térmicas fracas ( ou técnica ruim?) e decisões erradas em relação ao relevo, passando alguns apertos em determinados momentos. Na terceira perna abandonei a minha diretriz da altura alongando entre térmicas num vale para tentar melhorar a minha média. O resultado foi novamente atraso por não conseguir o ponto mais favorável sob as nuvens. Associado a isto, neste ponto específico o teto estava em torno dos 1700 metros, pelo menos 200 metros mais baixo que no restante da prova, o que preocupava pois era interessante chegar alto na parte final da prova que seria feita em sua maior parte sobre uma colina. Mais uma vez tive sorte de ter uma boa nuvem próximo à montanha e o final da prova foi tranquilo. Terminei com 3:10 horas, "apenas" 52 minutos depois do primeiro colocado.

Dia 4 - Melhorando a técnica na Nova Zelândia

Desta vez resolvi me preparar corretamente para a prova. No dia anterior analisamos as diferenças de nossas abordagens anteriores com as abordagens dos primeiros colocados através da ferramenta "replay" do Condor Club.
Esperei o lançamento do briefing no site da competição e analisei cuidadosamente o relevo, traçando a rota provável e tentando tirar vantagem do terreno. A posição do vento não era claramente favorável a um voo de colina nos pontos em que o relevo permitia e a estratégia ainda era duvidosa a partir do primeiro TP e bastante incerta na minha inexperiente análise a partir da metade da prova. Neste dia a companhia era apenas do Marco Lambreta.
O objetivo do dia era terminar a prova em no máximo 2:30 hs com possibilidade de melhor tempo se a estratégia estivesse correta.
A partida no entanto era bastante clara, de seguir com uma boa razão até a montanha mais próxima e chegar com altura suficiente para aproveitar o lift do topo que garantiria pelo menos 60km de médias rápidas.
Acontece que quase chegando na montanha, fui atingido por trás por outro competidor enquanto voava em linha reta e altitude constante! Apesar da recuperação do planador ser possível sem penalidade, a reparação ocorre na atitude do momento da reparação, normalmente parafuso em mergulho, o que acarreta perda considerável de altitude. No meu caso, cheguei baixo na montanha numa parte em que ficamos bloqueados até conseguir altura suficiente para transpor o bloqueio, com atraso considerável.
Outro ponto da estratégia envolvia retornar pelo mesmo caminho após o TP1 usando a montanha até determinado ponto onde era possível fazer uma transição relativamente rápida para outra montanha, aproveitando o lift mais um pouco para depois seguir diretamente para o TP2. O problema era que esta não era a linha mais curta para a perna, representando na verdade uma volta considerável de pelo menos 20km. A linha mais direta envolvia o voo por uma planície e portanto predominante termal, com um desvio de relevo incerto considerando a nossa pouco experiência, para evitar uma colina no caminho.
Ao chegar neste ponto de decisão, duvidamos da estratégia escolhida anteriormente e seguimos pela planície. O trajeto nesta perna foi tranquilo, com boa média mas analisando posteriormente o voo dos primeiros colocados, a estratégia abandonada foi a utilizada por eles com clara vantagem. A terceira perna era para nós a maior incógnita. A melhor linha passava por uma montanha com grandes altitudes e o vento estava alinhado quase que perfeitamente com a cadeia. Existia uma outra linha que desviava um pouco mais para leste e que parecia no mapa de orientação mais favorável ao vento. Mais recortada, proporcionaria pelo menos aparentemente mais área de sustentação. Seguimos por esta última com pequena variação entre os dois. Eu particularmente tive problemas em algumas transições que representaram atrasos e no geral, os competidores mais rápidos seguiram pela cadeia mais reta de linha mais curta, com vantagem novamente. Esta parte da corrida é maravilhosa, passando por montanhas nevadas e grandes vales.

Anexo:
xmas08.jpg


A última parte da prova foi tranquila, permitindo uma boa rampa final de mais de 80km com boa velocidade. Terminei com 2:43hs e minha melhor média dos três dias, 48 minutos depois do primeiro colocado. Entretanto pelas velocidades médias envolvidas foi a prova em que obtive a pior pontuação.
Dois pontos tornaram esta prova especial em relação às outras duas. O primeiro o trajeto de relevo muito bonito e o segundo a companhia constante de outros competidores em desempenho semelhante durante toda a prova. Esta companhia torna a prova muito mais interessante com aspectos positivos e negativos. Positivos além da companhia em si, facilitam a localização das térmicas e melhores linhas. Os negativos são as possibilidades de colisão e a indução de decisões erradas como nos ocorreu no caso do primeiro TP.
Os positivos suplantam com margem os negativos!
Rodar térmica no paliteiro, ultrapassar e ser ultrapassado na final, chegar e ver chegar baixo a toda no finish e pousar e ver pousos num aeroporto lotado são experiências muito bacanas.

Para terminar o longo relato gostaria de convidar a todos a experimentar algumas provas online, qualquer seja a experiência ou habilidade. Independente de resultados, a experiência é muito gratificante.


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Eduardo Campolina
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MensagemEnviado: 31 Dez 2013, 16:48 
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MensagemEnviado: 31 Dez 2013, 18:47 
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Credo.. que inveja (dá boa!) dessas fotos num pc bala :mrgreen: Relevo das plantações é lindo de ver.
E o furo na nuvem não

2o - que vídeo... lindo demais! Fiquei esperando o Tomcat passar...

3o - disgraça dus infernos esse Condor! Não VOE... nem passe perto disso.

E como disse.. se quiser simplesmente JOGAR, com 5 horas vc já JOGA.

Se quiser simular... garanto.. nunca jogará bem, pois sempre descobrirá algo melhor para fazer no Condor!

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Marco Aurélio Winter
Lambreta
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MensagemEnviado: 15 Fev 2017, 17:04 
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Srs.,
O relato do Campolina, no primeiro post, é tudo que precisava para resolver de vez o problema de "voar" com teclado... acabei de comprar o joystick na tentativa de algum dia completar uma prova semelhante.

Obrigado pela instigada, bons voos,


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